quarta-feira, 14 de março de 2012

Sempre aparece um J. Pinto Fernandes...

Dia 14 de março é o Dia Nacional da Poesia. Impossível não lembrar dos grandes: Pablo Neruda, Carlos Drummond de Andrade, Castro Alves, Mário Quintana... perdoem-me os demais poetas por não terem sido citados nessas curtas linhas, mas saibam que sua obra traz sentido, leveza, alegria e frescor à vida de todos que têm o prazer de sentir a sua expressão através do ritmo e da palavra cantada.

Tenho um carinho especial por Drummond. Acho que um mineiro sempre me encanta... não se pode olvidar, todavia, que eu tive um José (talvez mais que um...) na minha vida e participei de alguma Quadrilha. E também sempre aparece um "J. Pinto Fernandes"... Transcrevo os meus poemas favoritos no nosso Dia Nacional da Poesia: 


JOSÉ
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?


QUADRILHA
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história. 



"Quadrilha": Drummond na voz de Drummond:

quinta-feira, 1 de março de 2012

À procura de João Gilberto


Foto: Lara Branco
“O Rio de Janeiro continua lindo” é a frase de Gilberto Gil na canção “Aquele Abraço” que tem tudo a ver com a Cidade Maravilhosa, em qualquer lugar e a qualquer tempo.

Lá não tem tédio, tampouco monotonia. As paisagens são tão deslumbrantes que a gente nem acredita. Dá vontade de dizer a uma das tantas pessoas que se amontoam no alto do Corcovado “me ajuda a olhar?”

O Rio é tudo isso e mais um pouco. É o local perfeito para se passar as férias dos sonhos, a lua-de-mel ou simplesmente pegar uma praia.

Nas minhas últimas férias, além de Minas Gerais, um dos meus destinos foi o Rio. Não espere de alguns cariocas a mesma hospitalidade de um mineiro, fato que me intrigou. Um taxista me explicou que eles são na verdade arredios e que têm medo de confiar nas pessoas por tudo que já passaram em se tratando de violência. Faz sentido.

Dá para andar tranquilamente pelas ruas, de dia ou à noite (com as precauções óbvias, claro). A pacificação das favelas proporcionou uma nova vida à cidade. Espero que a paz se eternize e não dure só até a Copa de 2014.

Escolhi Ipanema para me fixar naqueles cinco dias por ser o berço da Bossa Nova, da boemia, da alegria. Lá estão os milhares de bares que serviram de QG para os mestres Tom Jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto.

João Gilberto. Desde que pisei na rua Vinícius de Moraes, mais precisamente na “Toca do Vinicius”, uma loja de discos muito simpática em Ipanema, não parei de pensar nele...
Estava em busca de souvenirs quando me deparei com o livro “Ho-ba-la-lá – À procura de João Gilberto”, do jornalista alemão Marc Fischer. Imediatamente o resumo da orelha da capa aguçou a minha curiosidade.

Ipanema
Perguntei a Carlos Alberto Afonso, dono da loja, se esse livro me ajudaria a compreender o surgimento da Bossa Nova, já que um de seus criadores foi João Gilberto. Ele me explicou, com paciência e perfeição, do que se tratava a publicação. Mais curiosa fiquei. Foi para o meu carrinho de compras, junto com “Chega de Saudade”, de Ruy Castro, a bíblia da Bossa Nova.


O que eu queria na verdade era entender a razão de ter a Bossa Nova encantado tanto e ainda conseguir manter as pessoas enfeitiçadas, pois em Ipanema vi gente do mundo inteiro se dirigindo ao bairro justamente para se inebriar com o ritmo, cuja presença é constante, desde o restaurante mais sofisticado até a barraquinha na beira da praia. Lembro especialmente do entusiasmo pela Bossa Nova do londrino Phill e do colombiano Juan, com os quais tomei uma caipirinha no Garota de Ipanema.

Bar Garota de Ipanema (Lara Branco)
Comecei a ler o livro no avião enquanto retornava a Porto Alegre. A busca de Fischer por João Gilberto quando veio de Berlim para o Rio é uma aventura detetivesca, inclusive ele se autointitula “Sherlock Holmes” e tem um “Watson”. O autor anseia encontrar João Gilberto para fazê-lo tocar “Ho-ba-la-lá” em seu violão centenário, música que ouviu pela primeira vez na casa de um amigo no Japão. O alemão foi contaminado pela batida do violão e o tom da voz de João.

O curioso é que Fischer não veio ao Brasil em busca do aclamado sucesso nacional e internacional “Garota de Ipanema”, de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, mas da música de João Gilberto.

Fischer traçou os passos do músico no início da carreira, inclusive tocando e cantando em um banheiro em Diamantina, MG, cidade pela qual João Gilberto passou quando viajou pelo Brasil. Além disso, experimentou o seu prato favorito, visitou os locais onde, segundo sua pesquisa com amigos e conhecidos, João costumava visitar e conversou com importantes nomes da Bossa Nova. O jornalista descobriu que João Gilberto vive atualmente no Rio de Janeiro recluso em um apartamento, onde troca o dia pela noite e toca violão cerca de dez horas por dia.

O fato é que “Ho-ba-la-lá” mostra o quão misterioso é João Gilberto. Quanto mais sabemos sobre ele, menos o conhecemos, menos o entendemos e mais queremos saber...


Pouco tempo antes da publicação do livro, Marc Fischer se suicidou, por razões desconhecidas, conforme me contou o Sr. Carlos.



O livro é um prato cheio para os leitores que gostam de Bossa Nova, João Gilberto, Rio de Janeiro e boas histórias. Fiquei muito mais curiosa pela vida e obra do coração da Bossa Nova e com uma vontade absurda de voltar a tocar violão. Deve ser o efeito João Gilberto que, de acordo com Menescal em depoimento que embasou um capítulo do livro, muda as pessoas.








Editora: Companhia das Letras


Autor: Marc Fischer


Tradução: Sergio Tellaroli


Número de páginas: 184











sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Carnaval, futebol e... greve


No dia 03 de junho de 2011, bombeiros invadiram um Quartel General no Rio de Janeiro, reivindicando melhores salários. O ato extremo se deu após meses de tentativa frustrada de negociação com o Governo, pois a categoria considerava impossível sobreviver dignamente com R$ 943,00. A iniciativa dos trabalhadores obrigou o governador Sergio Cabral a melhorar os seus salários.
Neste fevereiro, faltando poucos dias para o carnaval, a polícia militar da Bahia começa uma greve com as mesmas reivindicações dos bombeiros do Rio. O caos se instala. Um número histórico de homicídios é registrado: 180 mortos em 11 dias de greve. As Forças Armadas e a Polícia Federal são convocadas para reforçar a segurança. O governo não cede. Os policiais militares, civis e bombeiros do Rio também ameaçam parar. O clima é de guerra civil.
Há, entretanto, uma larga diferença entre o movimento dos bombeiros do Rio e dos policiais da Bahia: aqueles contavam com o total apoio da população. Artistas gravaram mensagens em prol da sua anistia, veiculada pela televisão. O povo usou roupas vermelhas para expressar solidariedade a eles. Os baianos foram hostilizados após a divulgação, pelo governo do estado, de uma gravação em que os líderes da greve tramavam delitos, sendo suspeitos, inclusive, de 25 das 180 mortes ocorridas no período.
Foto: trip2gether/Flickr
Mesmo sendo um problema nacional, o governo está irredutível e evita a discussão. Fala-se em Carnaval, Copa do Mundo, reformas de estádios – mas não se cogita melhorias na segurança pública. O Congresso Nacional já avisou que não pretende discutir a PEC 300, que visa mudar a Constituição Federal, criando um piso salarial de R$ 3.500,00 para os policiais.
A greve é direito fundamental, assegurado no Brasil desde a Constituição de 1967 – antes disso, era tida como um ato de rebeldia, severamente punido -, tendo ganhado maior abrangência com o advento da Carta de 1988, que concedeu ao trabalhador um direito que o protege dos abusos sofridos no ambiente de trabalho. Ocorre, todavia, que o direito de greve não alcança a polícia. Embora tenham reivindicações justas, a greve do pessoal da área de segurança pública é inconstitucional. A atividade policial é serviço público essencial para a preservação da vida das pessoas e da ordem pública, valores imprescindíveis à própria sobrevivência do Estado Democrático de Direito.
A maneira adequada de solucionar o impasse seria levar as reivindicações às Câmaras dos Deputados, como todas as outras categorias, pois é o meio constitucional e legal de se pleitear reajuste de salário. Diante dessa crise, é preciso que a sociedade atente para a importância dos profissionais da segurança pública e inicie um debate profundo sobre a necessidade de melhorias no setor, sendo que a remuneração deve ser compatível com a atividade, até para evitar falta de dedicação exclusiva e a corrupção.
As decisões das polícias da Bahia e do Rio não se deram ao acaso: foram propositalmente planejadas para acontecer nos dias que antecedem o carnaval, decisão estratégica para pressionar os governos. Se nenhuma providência for tomada imediatamente, é bem provável que nos deparemos com a mesma situação às vésperas da Copa do Mundo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Chico, o CNJ e a busca pela Democracia

Democracia é o sistema de governo onde o povo tem o poder de tomar decisões, tendo como base os princípios de liberdade de expressão e dignidade humana. Desde que surgiu, em Atenas, o regime sofre tentativas de deturpação da sua essência nos diversos países onde é adotado. No Brasil, houve recentemente mais uma grande polêmica neste sentido. Em setembro, a corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, disse que há “bandidos escondidos atrás da toga” (referindo-se aos maus juízes), em protesto contra o risco do Conselho ver sua função principal de fiscalizar esvaziada.
Tal declaração causou alvoroço entre os membros do Judiciário e indignação na população, já que, entre os três poderes da República, este sempre nos pareceu o mais transparente e confiável. A partir de então, as questões do Judiciário saíram do biombo e foram para as ruas, jornais e redes sociais. Desencadeou-se uma grande mobilização em prol da fiscalização eficiente deste poder.
A Constituição Federal do Brasil é muito bem escrita, os direitos e fundamentos da democracia estão dispostos de maneira magistral. E, como não poderia deixar de ser, há previsão de fiscalização nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Para a fiscalização do Poder Judiciário, foi criado o CNJ em 2004 (Emenda Constitucional nº 45). De acordo com a Constituição Federal, cabe ao CNJ controlar a atuação administrativa e financeira dos demais órgãos daquele poder, bem como supervisionar o cumprimento dos deveres funcionais dos juízes. Desde a declaração de Eliana Calmon, começou a transparecer a batalha, antes velada, entre alguns membros da magistratura e o CNJ – aqueles para limitar a fiscalização do Poder Judiciário e este na luta pela manutenção do seu direito constitucional.
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) junto ao STF (a Corte Maior do Estado Brasileiro) em 2010 para questionar a Resolução nº 135 do CNJ, com o objetivo de impedir a investigação de juízes por desvio de conduta. Em dezembro, o Ministro Marco Aurélio Mello concedeu liminar (análise antecipada do pedido principal) para frear o poder fiscalizatório do CNJ e restringir a fiscalização às corregedorias dos tribunais locais.
Foi aí que nós, enquanto detentores do poder de decisão em uma democracia que se preze, começamos a questionar: Qual a razão de tamanha truculência de parte da magistratura? Existe algo que não somos dignos de saber? Por que o Poder Judiciário não pode ser fiscalizado?
Instalou-se a crise entre STF e CNJ, cujos membros passaram a trocar farpas em público e nos bastidores, além de uma sensação de insegurança jurídica gigantesca. Deu margem para pensarmos o pior sobre o Poder Judiciário. Depois de muita discussão, o STF iniciou o julgamento do mérito da ADI. Em 02.02.2012, uma decisão histórica e importante para a democracia foi tomada pela Corte Constitucional: por seis votos a cinco se decidiu que o CNJ tem, sim, o poder de fiscalizar o Poder Judiciário. O assunto, porém, não foi esgotado e no dia 08 de fevereiro se reinicia a discussão acerca de outros pontos. O mais importante, todavia, já foi decidido: o CNJ pode instaurar processos contra juízes independentemente da atuação da corregedoria dos tribunais.
A vitória é do cidadão brasileiro, vez que não existe democracia sem transparência. Se alguém fez algo contrário à lei, deve ser investigado e punido, seja quem for, por um sistema que efetivamente funcione. Como proclamou Gilmar Mendes, durante o julgamento, “Até as pedras sabem que as corregedorias não funcionam quando se cuida de investigar os próprios pares”.
A discussão dos últimos meses diz respeito ao Poder Judiciário, mas na verdade tem a ver com Democracia como um todo. Isso me faz lembrar das Diretas Já. Eu era muito pequena quando houve a mobilização pelo fim da ditadura e a instauração da Democracia. Só que, após a visita ao Memorial Tancredo Neves, em São João Del Rei (MG), percebi a paixão e a vontade do povo em decidir o futuro do país naquela ocasião. Quando vejo que atualmente o desejo é o mesmo, tenho muito orgulho de ser brasileira e a esperança se renova.
“Vai Passar”, de Chico Buarque, foi a canção feita para embalar os novos tempos em 1985. Tem tudo a ver com as buscas e conquistas de hoje, quase 30 anos depois. Os meios são diferentes, é verdade, mas os objetivos são os mesmos: democracia e transparência.



Ministros que votaram a favor da manutenção dos poderes investigatórios do CNJ:
Cármen Lucia
- Gilmar Mendes
- Dias Toffoli
- Carlos Ayres Britto
- Joaquim Barbosa
- Rosa Weber
Ministros que votaram contra a manutenção dos poderes investigatórios do CNJ:
Cezar Peluso
- Celso de Mello
- Ricardo Lewandowski
- Marco Aurélio Mello
- Luiz Fux


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

[Aventuras Pelo sudeste do Brasil] Mineiradas


Continuo minha incursão por Minas Gerais. Fui parar em São João Del Rei. O plano era fazer Ouro Preto e Mariana primeiramente, mas, devido às enchentes e deslizamentos, essas cidades ficaram para a próxima viagem. Alugamos um carro para fazer com calma e tranquilidade todo o roteiro planejado. Estávamos ansiosas pelas cidades históricas.
Em São João Del Rei, a primeira coisa que fizemos foi acompanhar uma festa popular, a Folia de Reis. Começamos a seguir o povo na praça central, onde conversamos com os participantes do grupo e obtivemos diversas informações sobre pontos turísticos em SJDR e Tiradentes. O papo foi muito produtivo com o Sr. Bastião, que participa a vida toda do grupo e honra com fé o compromisso de louvar aos Três Reis Magos, todo ano.
Presépio da Muxinga (Divulgação)
Presépio da Muxinga (Divulgação)
São João Del Rei é uma cidade bonita e alegre. Lá, caminhamos a pé pelas ruas e já nos sentíamos nativas, tamanha a facilidade de encontrar os pontos turísticos e interagir com a população. A chuva torrencial, que acontece em todo o estado de Minas Gerais, não nos impediu de visitar o Memorial Tancredo Neves e oPresépio da Muxinga, criado com perfeição pelos irmãos Teixeira D’Assunção em 1929. Há também muitos bares badalados e movimentados na cidade, mas o atendimento é excepcional no Armazém. No almoço nos esbaldamos com a comida mineira bem feita lá do Villeiros. Não dá para deixar de provar a feijoada e o escondidinho de carne seca.
Igreja de Santo Antônio (Divulgação)
Igreja de Santo Antonio (Divulgação)
Reservamos um dia todo para Tiradentes, que é próxima de SJDR. As construções históricas da cidade são encantadoras. Lá está a segunda igreja mais rica do Brasil, a Igreja de Santo Antônio, cujo altar é coberto de ouro (482 kg). A construção é de 1710.
É complicado movimentar-se de carro na cidade, já que as ruas são cobertas por pedras (as mesmas desde o século 18). Por esta razão, alugamos uma charrete, que nos levou para os principais pontos turísticos da cidade. É uma experiência muito divertida – ah, as feiras de artesanato local em Tiradentes são um atrativo a mais. Há várias lojas distribuídas ao redor do Largo das Forras.
Restaurante Pau de Angu (Divulgação)
Restaurante Pau de Angu (Divulgação)
O almoço foi no delicioso e estrelado Pau de Angu, na estrada para Bichinho. O caminho é íngreme, mas o Mineirinho servido lá compensa o tempo que demora a chegar. O ambiente é uma gostosura, com ares de interior.
Na volta para Belo Horizonte, demos uma passada em Congonhas. Chovia absurdamente, mas isso não nos impediu de realizar a visita à Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, construída no período Barroco, em estilo Rococó. Lá há uma grande quantidade de obras de Aleijadinho. Impressionante, saliento, pois elas foram feitas quando o escultor já estava acometido da doença que prejudicou suas mãos e dificultava o trabalho. Fomos informados pelos habitantes locais que Aleijadinho viveu próximo de onde é a igreja. A população de Congonhas enaltece a genialidade do escultor.
Inhotim (Divulgação)
Inhotim (Divulgação)
Para finalizar os maravilhosos sete dias em Minas Gerais fomos até Inhotim, o centro de arte contemporânea localizado em Brumadinho, que é perto de Belo Horizonte. É bom reservar pelo

É fato: Minas Gerais, quem te conhece, não esquece jamais. Um agradecimento especial aos mineiros que nos receberam com muita simpatia e carinho. E um aviso: voltaremos!
menos um dia para o passeio, pois há muita coisa para ver. Atualmente, as obras imperdíveis são as de Miguel Rio Branco (exposição fotográfica), Doug Aitken (O Som da Terra) e Jarbas Lopes (os fuscas encravados no gramado!). As obras de arte estão expostas a céu aberto em meio a um jardim botânico deslumbrante.


O que é imperdível no interior de Minas Gerais:
Memorial Tancredo Neves (São João Del Rei)
- Igreja Santo Antonio (Tiradentes)
- Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas)
- Inhotim (Brumadinho)


Bares e restaurantes:
- Villeiros (São João Del Rei)
- Pau de Angu (Tiradentes)
- Armazém (São João Del Rei)
- O Legítimo Rocambole (São João Del Rei)


Publicado originalmente em http://www.portocultura.com.br/2012/mineiradas/

Rambo 2

Foto: sdageneration/Flickr
Zeca é um guri de valor. Guri, guri, não, pois nasceu há mais de 30 anos, mas a alma é bem mais jovem que isso.

Já rodou o mundo tentando se encontrar. Não dá para saber direito se ele conseguiu. Zeca tem um quê de mistério escondido naquele rosto que guarda sempre um sorriso debochado. E vive no mundo da lua. Até hoje não sabe direito onde eu moro, embora nos conheçamos há uns 12 anos.

Os pais de Zeca são separados, mas essa situação não o incomoda, ao menos não é visível para quem com ele convive.

Desde muito jovem o Zeca trabalha, e trabalha duro. Já conciliou trabalho com a música, sua grande paixão, só que agora deu um tempo. Precisa pensar e resolver a vida. Crise dos 30 não acontece só com mulher.

Cada encontro com essa figuraça rende muita diversão. É impagável. Na última festa em que estivemos juntos, ele deu um porre em um pagodeiro com absinto. O músico se perdeu no pandeiro e se perdeu do pandeiro. Mas tudo isso sem maldade. Zeca não tem maldade. Sua essência é boa.

Ele vive tentando manter-se em forma. Diz ele que quer ficar bombado para que os homens o respeitem, pois acredita que sua pouca altura e corpulência o fazem correr certos riscos. 

Certa vez, acordou cedo e se mandou, meio dormindo, para a academia. É mais fácil acreditar que a gente consegue se superar quando acorda cedo para ir à academia, não? Ainda que a força de vontade não dure mais que um dia...

Zeca adentrou a academia e não avistou ninguém lá, senão uma bela morena a se exercitar. Ele é um caçador, adora estar ao redor de mulheres (e com mulheres ao redor), mas se cansa rápido, a não ser que tenha tido um trabalhão para conquistá-la, o que é difícil, já que é um sedutor de primeira.

Pois bem, desde que começou a se exercitar no aparelho que modela o bíceps, Zeca tentava desenhar em sua cabeça uma estratégia para aproximar-se daquela morena bonita. Todavia, não estava em um bom dia. O sono ainda prejudicava o entendimento e ele não conseguia raciocinar direito.

A ansiedade do nosso amigo não permitiu que ele pensasse por mais um tempo, até porque a moçoila estava instalada ao lado do bebedouro, cansada, com ares de quem iria embora logo, logo.

A estratégia de Zeca estava montada, com base no "vai ou racha". Dirigiu-se até o bebedouro, como quem fosse beber água, encarando a moça de uma maneira intimidadora. Quando ela percebeu, seus olhos reviraram, como quem diz "ai, meu Deus, não acredito..." Pois pode acreditar. Zeca debruçou-se sobre o bebedouro e, com um olhar 43 - supostamente sedutor -, fitava a guria sem parar. Ela conduziu o olhar para o lado oposto, na certa temendo a provável investida, mas foi inútil... 

Depois de algum tempo de silêncio constrangedor, a moça começa a levantar-se e Zeca, temendo a saída dela do recinto, dispara:

- Já assistiu Rambo 2?

A moça, com um olhar apavorado, geme:

- Hã?

- Tu já assistiu Rambo 2?

- Não...! Nunca assisti Rambo 2!

E Zeca, sem perder a pose:

- É que tem uma moça que aparece no início de Rambo 2 que é muito parecida contigo.

- Áh... 

A guria ficou vermelha sem querer, certamente com vergonha alheia pela inusitada cantada que acabara de receber. Baixinho ela disse:

- Então tá... tchau.

E a morena saiu tão depressa da academia, que parecia escapar de um louco.

Zeca ficou lá parado, meio atônito. Sabia que a investida não tinha dado certo e tinha vontade de bater a cabeça mil vezes na parede da academia. Nunca mais assistiu ao Rambo 2. 


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

[Aventuras Pelo Sudeste] Aterrissando em Bérizonti


Saímos às 10h da manhã de Porto Alegre, voo sem escalas, e aterrissamos no Aeroporto Internacional Tancredo Neves por volta das 11h50min.
Uai! Chegamos em Minas Gerais!Há dias as chuvas castigavam esse estado, notícias apavorantes nos chegavam através dos jornais e da televisão. Mas não é que um lindo céu azul nos recebeu?
De Confins até Belo Horizonte é uma viagem de mais ou menos uma hora. Vale a pena. A vista é incrível.Após fazer o check-in na pousada, eu e minha irmã fomos encontrar a nossas amigas no Shopping Parque Savassi para o almoço. A chuva veio.
As duas gaúchas, a pé, resolvem se abrigar embaixo de uma árvore (como se fosse adiantar) até que um mineirinho de guarda-chuva grita: “Querem carona? Se quiserem, venham logo!”.E lá estávamos nós, compartilhando o guarda-chuva com um novo amigo, bem humorado, e que nos deu dicas preciosas sobre o tempo por esses dias em Minas Gerais.
Depois do almoço, decidimos ir até o Museu Histórico Abílio Barreto. Na saída do Shopping, pedimos informações a uma mulher que estava com o seu filhinho fofo. Não é que ela nos deu uma carona até o museu? Providencial, já que batia água naquele momento.
Alguns museus depois, parada para um pão de queijo básico na Praça da Liberdade e, depois, jantar. Queríamos um barzinho, já que Belo Horizonte é a capital mundial dos bares, mas, em razão da chuva, não poderia ser a céu aberto.Acabamos no Tizé, lá no bairro Lurdes. O ambiente é aconchegante, cheio de pessoas bonitas e sorridentes. Os pedidos foram pasteis de angu com recheio de carne seca e uma farofa de ovo. Dos deuses. Até agora dá água na boca, só de pensar na farofa. Ah! não esquecemos da cachaça, muito famosa em Minas Gerais. Uma dose de Monte Verde. Deliciosa.
No dia seguinte, fomos almoçar no Mercado Central após os passeios. O cardápio foi sensacional no premiadíssimo Casa Cheia: almôndegas de carne seca com molho de abóbora. Combinação perfeita.
Casa do Baile (Lara Branco)
À tarde resolvemos ir até o Complexo da Pampulha. Estávamos ansiosas por Niemeyer. Fomos de ônibus, porque o transporte coletivo funciona muito bem em Belo Horizonte. Pedimos informações a um belo-horizontino muito educado, que acabou nos revelando que também não conhecia o Complexo da Pampulha, embora tivesse morado a vida toda em BH. Saltou no mesmo ponto que nós e nos acompanhou em torno da Lagoa e das obras encantadoras do nosso arquiteto-gênio. Foi uma tarde divertidíssima. Sorrimos de fazer a barriga doer e acabamos em um parque de diversões.
O jantar foi no falado e badalado Bolão, no bairro Santa Tereza. Dizem que lá é feito o melhor espaguete de BH. Não tenho dúvidas, pois o espaguete com molho à bolonhesa foi o melhor que já comi em toda a minha vida.
O que me encantou nesses dois dias de Belo Horizonte foi a simplicidade, generosidade, gentileza e simpatia dos mineiros (além do sotaque, pois adoro quando eles dizem Bérizonti para se referir à sua capital).
A cidade é limpa, arborizada e aconchegante, totalmente planejada (foi a primeira cidade planejada do Brasil), com obras magistrais de Oscar Niemeyer, a maioria durante o governo de Juscelino Kubitschek na prefeitura de BH.
O que é imperdível em Belo Horizonte:
- Complexo da Pampulha (comece pela Casa do Baile, uma construção que acompanha as curvas da lagoa)
- Museus da Praça da Liberdade
- Museus culturais (tem aos montes)


Bares e restaurantes:
- Tizé Bar e Botequim (Lurdes)
- Casa Cheia (Mercado Municipal)
- Bolão (Santa Tereza)